Gosto bastante de levar o meu animal à Vianna Hospital Veterinário, é muito bem tratado.
António Pombal

Osteocondrite dissecante da cabeça humeral

Dr. Jorge Pires
Nia Resende

Paciente: Inca – Rottweiler / F – 32 Kg / idade – 9 meses 

Sintomatologia: Claudicação constante do anterior esquerdo, atrofia dos músculos deltóide, supraespinhoso e infraespinhoso.
A exploração clínica  revela uma dor aguda tanto na hiperflexão como na hiperextensão do ombro.
 

 

Diagnóstico: Tanto o historial como os sinais clínicos detectados na Inca são indicativos de uma O.C.D.
Mas o diagnóstico definitivo obteve-se por exploração radiológica. Fez-se uma projecção radiológica medio lateral com a articulação do ombro em extensão. Por se tratar de um animal muito dócil não foi necessário fazer uma sedação. De imediato pela projecção radiográfica se detectou um defeito radiolucido na metade caudal  da cabeça do humero.
 



RX c/lesão



RX normal

Tratamento:

Perante este quadro clinico o tratamento de eleição do O C D é um tratamento cirúrgico.

Cirurgia:

Premedicação: Acepromazina  +  Diazepam  +  Katemina + Artropina – IV
Indução: Propofol 3 mg/Kg IV
Manutenção : O2  +  Isoflurano a 2,5%
Antibioterapia Pré operatória – Clindamicina IV

 

Abordagem Cirurgica:

 

Acesso caudolateral: Incisão cutânea centrada sobre o acromio  descrevendo uma trajectória curva que vai da metade distal da espinha da escápula a metade proximal do húmero.
Segue-se a incisão da fascia segundo a mesma trajectória e seguidamente faz-se uma incisão que separa o Músculo deltóide (porção acromial da porção escapular). Ao reclinar a porção acromial e escapular do deltóide temos acesso ao espaço ocupado pelo nervo axilar e os vasos circunflexos humerais caudais. Separando cranialmente o músculo  redondo menor se reconhece a zona caudolateral  da cápsula articular da articulação do ombro. A incisão da cápsula permite-nos o acesso  à zona caudal da articulação. Com movimento de adução e rotação interna da extremidade conseguimos visualizar grande parte da cabeça do humero.

 

 

 
 

 

Método Cirúrgico:

 

Retiramos o “Flap” de cartilagem.

Curetagem da superfície de defeito até sangrar ligeiramente.

Incisão das margens da cartilagem com bisturi,lamina  nº 15.

Praticamos irrigação com soro fisiológico à pressão com seringa e fizemos aspirações constantes para remover pequenos fragmentos de cartilagem.

Suturamos a capsula, os músculos e fizemos hemostasia cirúrgica correcta para evitar espaços mortos que são muitas vezes a causa de seromas.

 

 

 

 

 

Post Operatório:

No imediato para combater a dor fizemos analgésico Butorfanol IV.
Antibioterapia – Durante duas semanas admnistramos clindamicina.
Exercício limitado – nas duas primeiras semanas. Ao fim de 4 dias o animal já fazia apoio no membro. Ao proprietário só foi permitido ao fim de 6 semanas o aumento gradual do exercício.
Ao fim de 8 semanas a recuperação funcional foi completa.

Discussão:

As osteocondroses definem-se como um conjunto de afecções caracterizadas pela perturbação da ossificação endocondral duma cartilagem em crescimento, que pode afectar as cartilagens articulares imaturas osteocondroses articulares, ou as cartilagens de conjugação dos ossos longos (osteocondroses matafisárias). Logo que haja uma fractura da cartilagem, o termo de osteocondrite é geralmente utilizado. As fissuras perpendiculares à superfície cartiloginosa libertam um volet cartilaginoso dito osteocondrite dissecante. A osteocondrite dissecante da cabeça humeral é a mais frequente e afecta sobretudo raças grandes.

 
 
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