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Tripla Osteotomia Pelvica

Resumo: A tripla osteotomia pélvica constitui a técnica cirúrgica de escolha para o tratamento da displasia da anca. A técnica que aplicamos foi a seguinte: ostectomia por via ventral do púbis; osteotomia do ischium por via caudal e osteotomia do ilium por via lateral. A placa usada foi uma placa AO/ASIF com ∢ de 45º colocada sobre o eixo de rotação do ilium segundo uma direcção de osteotomia inclinada de 10º para a frente em relação à perpendicular do ilium. Mais tarde evoluímos para outra técnica mais simples e com menos tempos operatórios utilizando a placa Porte .

Técnica Cirúrgica

T.O.P descrita por Slocum

Compreende 3 tempos operatórios.

  1. Ostectomia do Púbis

    Acesso ventral do púbis; desinserção do tendão proximal do pectíneo.
    Ostectomia de 2 cm do ramo craneal do púbis efectuada 2 mm à iminência iliopúbica.

    Colocam-se afastadores de Hohman de um lado e outro para evitar lesionar o nervo obturador e a artéria e veia Circunflexas femurais.

     

     
     
  2. Osteotomia do Ischium

    Abordagem caudal do ischium. Faz-se a elevação do músculo obturador interno dorsalmente e dos músculos semi-membranos e quadrado femural ventralmente. Colocam-se os afastadores de Hohman no forámen o que facilita a reclinação dos músculos e protege o nervo obturador. Com osteotomo e serra fizemos a osteotomia do ischium. A seguir fizemos dois orifícios de cada lado da linha
     de osteotomia para passagem de arame de cerclagem deixando-o sem tensão até ao final da intervenção.

     

     
  3. Osteotomia do Ilium

    Abordagem lateral do ilium. Os músculos glúteos são reclinados. Colocam-se os retractores de Hohman no bordo dorsal do corpo do ilium com a dupla finalidade de separar os músculos glúteos e obter uma melhor visão da zona.
    Utiliza-se uma placa auxiliar DCP 5 orifícios que é moldada sobre o ilium. Colocada no eixo maior do ilium para determinar o eixo de rotação escolhido. São feitos 2 orifícios do lado acetabular em posição neutra e o orifício junto à linha de osteotomia ao nível da extremidade iliaca craneal é efectuado em posição excêntrica. A seguir fez-se a osteotomia do ilium entre o orifício acetabular e o orifício iliaco préforado com uma inclinação de 10º para a frente em relação à perpendicular ao eixo do ilium. Seguidamente coloca-se uma pinça de redução na tuberosidade do isquim através da abordagem anterior para ajudar a rotação do acetábulo. Neste membro o fragmento distal do ilium encavalita sobre o fragmento proximal. Faz-se a osteotomia deste fragmento distal. A placa AO/ASIF ∢ 45º é fixada na posição definitiva; os parafusos do fragmento acetabular são colocados numa 1ª fase depois os parafusos do fragmento iliaco préforado é posicionado. Finalmente os dois orifícios proximais do ilium são forados e colocado os parafusos.
    Finalmente faz-se a tensão do arame de cerclagem de ischium.

     
     
     
  4. Actualmente modificamos parcialmente esta técnica tendo evoluído para uma mais simples e com menos tempos cirúrgicos. Esta nova técnica que estamos a utilizar é preconizada pelo Dr. Bardet e consiste apenas em dois acessos cirúrgicos. O acesso ventral do Púbis e o acesso lateral do Ilium.
    - Acesso ventral do Púbis permite fazer a ostectomia do Púbis e a osteotomia do Ischium. A via de acesso que utilizamos no passado para fazer a osteotomia do Ischium foi suprimida, evitando assim os seromas habituais e a dor mais intensa no pós-operatório.
    - Abordagem lateral do Ilium permite a osteotomia do Ilium e aplicação da placa Porte. Esta placa de ângulo preformado 20 ou 25 º de 7 furos e lateralização substitui a placa PCD (placa de compressão dinâmica AO/ASIF – 5 ou 6 furos e posteriormente a placa CPOP ( Canine Pelvic Osteotomy plate, Slocum de 6 furos).